sábado, 27 de fevereiro de 2010

Já chega de chuva e vento...queremos voar

Para quem precisa de voar, para se sentir bem, para que os dias sejam mais alegres, basta de chuva e vento. Não me lembro de tanto mau tempo seguido.Que inverno!!Mini-tornados, dilúvio na Madeira, temporais, naufrágios, acidentes na estrada. Está anunciado para esta madrugada ventos de 150 Km/hora...será que o velhinho hangar onde guardo o meu Quicksilver vai aguentar?...e aquelas pessoas que moram em casas parecidas ou pior que o hangar?...e aqueles que agora nem sequer têm casa, arrastadas que foram nos aluviões, bem como famílias que nelas se encontravam...como suportar este inverno de dor?Felizes dos que têm fé em Deus e através da reza conseguem suportar tal sofrimento. Este tempinho desgraçado, para além de nos afectar anímicamente e por vezes físicamente, faz-nos reflectir sobre a nossa condição de habitantes de um planeta, sujeito a todas as forças da natureza e do universo que implacávelmente nos domina. A força da natureza é brutal, nunca estática, e sempre surpreendente.
Não voava há vinte e seis dias, hoje o vento estava mais calmo, aparentemente ao olhar para a  manga, deixei umas nuvens carregadas passar, esperei , começou a chuviscar, guardei a máquina, voltei a esperar, depois a chuva parou e com a inspecção já feita, saltei para o GT500, motor a trabalhar, a "placa" nalguns pontos muito encharcada e enlameada, mas o desejo era tão forte, mesmo com o tecto baixo (nos limites de VFR), fui dar uma volta ao circuito. Assim que descolei na 18 (vento de sul), senti imediatamente a instabilidade da massa de ar, e o Quick agitado, como que nervoso a dizer-me agora que estás aqui tens de fazer as restantes pernas e aterrar imediatamente.Vento cruzado, vento de cauda, perna base e final sempre na "sopa" a segurar com motor.Consegui efectuar uma boa aterragem, mas não devia ter deixado que a minha saudade de voar interferisse com algum bom senso que me dizia que talvez fosse melhor ficar no chão.Depois de taxear, fiquei com o assento no estado que se pode ver na foto e como coincidência ao desligar o motor ferrou a chover, guardei o ultraleve apressado, fazendo depois a limpeza necessária.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Novo ULM de 3ª geração no mercado brevemente : TL 3000 - SIRIUS

Com a qualidade de construção já demonstrada no Sting, o  novo ULM de 3ª geração, Sirius é também integralmente fabricado em composite e carbono, privilegiando o espaço e conforto no interior do cockpit, bem como uma alta performance em voo contando com o Motor Rotax de 4 tempos. A aeronave tem flaps eléctricos e tanques de combustível de 130 litros o que permite uma autonomia de 6 a 7 horas de voo contínuo.
Mais um avião a lembrar os clássicos e velhinhos Cessna de asa alta, mas só na aparência e quiçá na manobralidade, tudo o resto diferente.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bla bla bla bla......silêncio, estamos a aterrar

Recebo de vez em quando algumas dicas, esta pareceu-me pertinente e gostaria de partilhar convosco.
Trata-se de um procedimento normal a nível profissional mas que pode muito bem ser adoptado por nós que voamos ULM algumas vezes acompanhados por amigos bem tagarelas. Fazer silêncio em determinadas fases do voo para um aumento de concentração e atenção às manobras a executar é uma mais valia para a segurança do voo. A nível profissional, em linha aérea, toma-se este procedimento desde o taxi na placa até se atingir a altitude de 10000 pés e na aterragem da mesma altitude até o avião ficar imobilizado na placa.Claro que podemos imitar este procedimento, no nosso caso, talvez até aos 1000 pés, penso eu.
Antes de iniciar o voo no pequeno ultraleve, podemos falar sobre este assunto com o nosso passageiro, explicando que na descolagem e aterragem não convém fazer peguntas, nem colocar quaisquer questões que desviem a atenção do piloto, podendo esse passageiro ao invés, ajudar-nos, observando se existem outros aviões voando nas proximidades , ou na nossa direcção.
As conversas sobre os flaps, GPS, o jogo do Benfica ou as próximas férias, podem ficar para depois da aterragem, no hangar ou quiçá no bar do aeroclube.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pista de Lagoa de Óbidos (Aeroclube de Lagoa de Óbidos)


A pista da Lagoa de Óbidos está bastante "hidratada", sobretudo nas cabeceiras da mesma, graças à chuvinha que tem feito. Convém esperar mais dois dias pelo menos para que seja possível usá-la em segurança (estive lá esta tarde, 21/01/09).


Aproveito para lembrar que a frequência em uso no aerodromo é 123,45 MHz (UNICOM) e que a pista é ainda usada assíduamente por praticantes de aeromodelismo (cuidado com as rapadas).

Embora às vezes possa parecer, esta pista não está abandonada e tem ocasionalmente tráfego no circuito para respeitar!!! Não quero parecer careta, mas há regras para cumprir. Tenho assistido diversas vezes a aeronaves cruzando o aerodromo abaixo dos 1000 pés sem efectuar qualquer comunicação e algumas vezes fazendo as tais rapadas como atrás referi.
 

A pista está inserida numa área ecológica e agrícola, tem excelentes condições para o voo, o vento predoninantemente no enfiamento da 36, laminhar da lagoa,  tem ainda uma largueza à sua volta, livre de obstáculos, conferindo segurança à prática desta modalidade .

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Aero Expo Friedrichshafen - Alemanha

http://www.aero-expo.com/aero-en/exhibitors/news.php

Aqui fica uma boa sugestão para os que puderem ir já em Abril à Alemanha visitar a grande exposição  sobre Aviação. O certame decorre entre os dias 8 e 11 de Abril.Certamente ficar-se-á com uma ideia do que melhor se faz hoje no mundo da aeronautica.

Se arranjar companheiros que queiram alinhar, talvez vá....

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

"Regresso à escola...revisão da matéria dada"...é bom reler! (CONTINUAÇÃO) V


(Continuação)
101- O que é normalmente proíbido numa área de categoria restrita com uma aeronave civil? Voar sobre uma área de grande densidade populacional.
102- Testes operacionais com ELT (Emergency Locator Transmitter) devem ser realizados nos primeiros 5 minutos de cada hora.
103- Quando as pilhas não recarregáveis de um ELT devem ser trocadas? Quando 50% da sua vida útil (prazo de validade) foi atingido ou quando foi usado por um período de 60 minutos.
104- Se um pequeno avião e uma aeronave de grande porte voarem convergindo entre si e a aeronave maior estiver à esquerda da posição do avião mais pequeno, a aeronave maior tem prioridade.
105- Quando dois ou mais aviões se aproximam de um aérodromo para aterrarem, a prioridade pertence ao avião que estiver a mais baixa altitude, mas não deve tirar partido desta regra para se atravessar à frente de outro ou ultrapassar.
106- Que acção deve ser tomada quando um planador e um avião se aproximam um do outro, à mesma altitude, numa rota de colisão de frente? Cada qual deve desviar-se para a direita.
107- Que avião tem prioridade sobre todos os outros?Um avião em perigo!
108- O aerodino que tem prioridade sobre todas as aeronaves é o Balão.
109- Quando voar abaixo dos limites laterais de um TCA (Terminal Control Area) a velocidade máxima autorizada é de 200 Kts.
110- Abaixo dos 10000' pés (MSL) a velocidade máxima autorizada salvo excepções é de 250Kts.
111- Salvo algumas excepções a velocidade máxima no espaço aéreo de um aérodromo é de 156Kts.
112- De acordo com os regulamentos ninguém pode executar voo acrobático sobre uma zona populacional de uma cidade , nem com menos de 3 milhas de visibilidade.A altitude mais baixa permitida para este tipo de voo é de 1500' (AGL).
113- Que acção deve ser tomada se um piloto receber uma autorização que causará um desviu das normas estipuladas? Deve recusar a autorização e deve pedir para ser emendada.
114- Uma autorização de controlo de tráfego fornece autorização para proceder segundo condições de tráfego específicas em espaço aéreo controlado.
115- Uma luz itermitente (flash) verde de uma torre de controlo,  apontada para uma aeronave no chão significa que o piloto tem autorização para rolar (taxi).  (Continua...)

domingo, 27 de dezembro de 2009

SENTAR-SE À JANELA



SENTAR-SE À JANELA




"O jovem advogado, certo dia, deu-se conta de como as pequenas coisas são importantes na vida, e escreveu o seguinte: Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião. A ansiedade de voar era enorme.

Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem.

Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante.

As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.

No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.

O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.

Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.

As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.

Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível.

O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.

Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.

E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu.

Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista.

Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida.

A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.

Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.

Ademais, pode ser que ao descer do avião da vida já não encontremos ninguém a nossa espera. "

(Autor desconhecido - Brasil)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Elitar - 202 e Elitar - Sigma

Por vezes descobrimos ao acaso na net, alguns modelos de ultraligeiros fabricados em países que damos por uma razão ou outra menos atenção, é o caso desta marca russa que fabrica e comercializa os modelos Elitar - Sigma e Elitar - 202 da Samara VVV - AVIA. O preço incluindo alguns extras, anda na casa dos 45000€, com um Rotax 912ULS, parece ser uma opção a considerar para quem procure um ULM de asa baixa (Elitar 202).Na configuração básica o preço é de 39757€.
Vale a pena dar uma espreitadela: http://www.vvv-avia.ru/speed-comfort-and-safety.html

O outro modelo fabricado por esta marca, o Elitar - Sigma , de asa alta, é mais caro e com performances distintas, para além de uma concepção estética bem mais vanguardista.Podendo ser apetrechado com flutuadores, pode ainda operar entre temperaturas de -35 a 40 ºC .(Como será naqueles dias de calor tórrido do saudoso Verão em Portugal ?)
http://www.youtube.com/watch?v=yiMHOUf4gZE



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O inverno é tramado...



O inverno é tramado, pode até ser agradável voar com o friozinho de uma manhã acinzentada, bem agasalhado, respirando um ar limpo e fresco, com  auscultadores abafando o roncar do Rotax a 5500 RPM, libertando calmamente algum CO2 de que tanto se fala para a nossa querida atmosfera...mas tanta chuva e vento, convenhamos é o normal para esta época do ano! ..no futuro será assim (?)
Há poucos dias ouvi uns cientistas, a propósito do aquecimento global do planeta, que estamos a exagerar no que se tem falado sobre os gases poluentes libertados para a atmosfera, nomeadamente o CO2. Diziam eles que o aquecimento provém mais que outra coisa, de um aumento de libertação de calor do interior da Terra, como sabemos lava incandescente a milhares de graus centígrados. Afinal quem tem razão? Muito provavelmente as duas teorias estão certas, complementando-se...julgo eu.
Os países, continuam a pensar enquanto países, no seu umbigo e assim pouco adiantará ao planeta o esforço de alguns e as conferencias a nível mundial. As desigualdades são tão acentuadas, entre ricos e pobres, os que poluem e os que respiram o conforto dos outros, que dificilmente haverá justiça que se aplique nestas circunstâncias...raios, eu a voar por prazer e outro algures a palmilhar terra deserta, escravizado por algum regime...e pagando inocentemente o efeito de estufa, raios, mas eu não sou rico...e a questão é muito mais complexa...., de repente...
...o campo de voo aproxima-se, dou entrada no circuito, mantenho 700 pés, regulo o compensador, relato a minha posição no vento de cauda, olho no velocímetro, olhos para fora, já não me perco a filosofar sobre o aquecimento global, agora só me preocupo com o aquecimento do rotax 582, nariz em baixo, concentração, perna base, 10º de flaps, tiro RPM, perco altitude, estou na final, mais 10º de flaps, tiro motor, a ladeira, a pista à minha espera, o vento calmo, o planeta ainda é belo, por enquanto...quase, quase lá, manter a velocidade, 60MPH, arredondar suavemente, um leve toque de pés e aí estou eu na terra, feliz, sem frio, conscientemete preocupado com o futuro desta Terra que será dos meus filhos, por mim já vivi muito tempo ecológicamente, quando Portugal se afirmava orgulhosamente só e quando os gastos energéticos do nosso povo eram rídiculos comparados com outros.A minha pegada de carbono é muito pequena.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O grupo do Facebook: ULM - Ultraligeiros - Ultralights

O grupo tem vindo a crescer devagar, mas quase diáriamente entram novos elementos. Embora  com pouco tempo de existência, já temos muitas participações, muitas fotos, videos, no entanto, estranhamente não tem havido participações no Forum.Ou os tópicos não despertaram interesse ou estão à espera que alguém dê o primeiro passo e só depois haverá debate e partilha de ideias ou opiniões.

A aviação ultraligeira tem tido nestes últimos anos um aumento de adeptos, mesmo com sucessivas crises económicas e alguns entraves pelo caminho.O fascínio pelas máquinas voadoras e tudo quanto elas nos proporcionam, não desaparece, bem pelo contrário, aumenta e traz novos desafios à aviação recreativa e de lazer, à qual pertencemos. Temos através da Net mais oportunidades de nos ficarmos a conhecer melhor e lá diz o ditado "que a união faz a força". Foi este princípio que me levou a criar um grupo no Facebook. Podemos estar mais perto uns dos outros, partilhar conhecimentos, divertirmo-nos, deixar de lado rivalidades ou elitismos rídiculos.Gostamos de voar e isso é que interessa, isso é que nos une.Colocando sériamente uma cultura de segurança e de conhecimento aeronáutico nos ULM, podemos demonstrar a todos que voar é divertido e seguro.
Para aderir ao grupo clicar no seguinte link:
http://www.facebook.com/group.php?gid=172796706817#/group.php?gid=172796706817

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Regresso à escola...revisão da matéria dada"...é bom reler! (CONTINUAÇÃO) IV


(CONTINUAÇÃO)
91- Antes de qualquer voo o piloto deve verificar toda a informação disponível para esse mesmo voo.
92- Em que situação pode um piloto transportar um passageiro sobre a influência de drogas ou alcool? Sómente em caso de emergência ou em que este esteja sob vigilância médica.
93- Após ingerir bebidas alcoolicas, um piloto só pode voar como comandante passadas 8 horas.
94- Os cintos de segurança devem ser ajustados por todos os ocupantes  durante as descolagens e aterragens.
95- O piloto tem obrigação de avisar os passageiros para o uso dos cintos de segurança nas descolagens e aterragens.
96- Quando devem os ocupantes de um avião usar pára-quedas?Quando se efectuar voos que excedam intencionalmente 60º de pranchamento (bank).
97- O que é necessário em termos de combustível para voar VFR de noite? O suficiente para voar para o primeiro ponto pretendido de aterragem e para voar para além disso mais 45 minutos na velocidade normal de cruzeiro.
98- Quem é responsável para determinar se um avião está em condições de voar? O piloto comandante.
99- As limitações de operação de um avião podem ser encontradas no manual de voo do avião, marcas e placards, ou na combinação dos mesmos.
100- Acima de 15000' pés todos os ocupantes de um avião pressurizado devem ter fornecimento suplementar de oxigénio.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Que a brincadeira seja eterna!

Julgo que a maioria dos actuais pilotos, tanto os profissionais, como os simples amadores devem ter esta paixao de voar muito antes de alguma vez terem experimentado a própria sensação. Não sei se haverá alguma explicação a nível científico ou alguma área da psicologia que possa explicar alguns comportamentos que tivémos e que outros têm neste momento, quando se brinca a pensar nos aviões.Lembro-me de passar horas a desenhar aviões ao mesmo tempo fazendo sons imitando as turbinas dos mesmos, de usar vários objectos lá de casa que eram logo transformados em protótipos de aeronaves, ou então construir os meus ULMs com seis ou sete peças da Lego ou ainda de estar completamente nas nuvens na carteira da sala de aula da escola primária imaginando o meu cockpit e voando sei lá para onde. Mais tarde já recebia pequenos modelos ou cravava os meus pais por alturas do aniversário ou Natal pedindo algum modelo especial. Havia ainda as colecções das pastilhas elásticas com centenas de modelos (fotos) e outra colecção de cromos de companhias aéreas, com um mapa que se recebia  no final, depois de ter ingerido dezenas de gelados.Para além de tudo isto, quando frequentava o chamado ciclo preparatório em Lisboa, o melhor desse tempo era ao fim de semana, quando o meu pai acedia ao meu pedido e íamos para o terraço do aeroporto da Portela apreciar todos aqueles 727, 707 alguns 747 e tantos outros que ficavam mesmo ali na placa a poucos metros da varanda desse terraço. Nesse ano de 1974, em Agosto fiz o meu primeiro voo para Luanda, que emocionante e inesquecível aquela viagem, finalmente tinha voado, sentido aquele arrepiante extase.
O que será que nos traz para este mundo de asas, fuselagens, trens de aterragem, lemes de direcção, flaps numa brincadeira interminável? Sim, nunca mais nos conseguimos separar deste "bichinho" das máquinas voadoras, já tentei acreditem, não consegui porque está cravado bem no fundo do meu ser.
Tenho observado ultimamente algumas crianças, pelo facto de ter uma com cinco anos e de eu próprio dar umas aulinhas semanalmente num infantário, reparo que alguns, incluindo a minha,  estão precisamente a vivenciar todas aquelas viagens imaginárias com brinquedos agora mais sofisticados de aviões ou helicópteros, mas a essência é a mesma, os sonhos são os mesmos.Serão os futuros pilotos, não tenho dúvidas, que licenças de voo irão ter, isso já não sei.
Eu lá vou brincando e sonhando no meu velho e pequeno Quicksilver. Vocês que estão ainda a ler estas linhas, têm brincado? Têm treinado e divertido? Que a brincadeira seja eterna!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Voos de Natal...sem renas


O Natal está aí à porta e com ele chega a avalanche de publicidade, o marketing agressivo, o comércio enfeitado, enfim o espectáculo está montado.Luzes e sons por toda a parte, o brilho das montras, as ruas engalanadas, todos preparados para a festa...mas qual festa?O que comemoramos mesmo?Ah sim ...o nascimento de Jesus, aquele que apelava (apela) à simplicidade e bondade dos homens, que se preocupava (preocupa) com os pobres e enfermos, que esperava (espera) uma sociedade mais justa e solidária. Parece que o Natal de agora é precisamente a antí-tese do que apregoava aquele cujo aniversário festejamos.Esta introdução não terá muito a ver com o tema deste blogue, os aviões ultraligeiros, mas até poderia ter, se quiséssemos fazer um esforço e através dos voos que efectuamos regularmente pudéssemos ajudar os outros, os mais desfavorecidos, contribuir para alegrar a vida de algumas pessoas. Eu sempre o desejei fazer, mas também não posso esquecer a legislação apertada para este tipo de aeronaves e seu uso.
Já me atiraram à cara que ter um avião é para quem pode, não fazendo essa pessoa certamente ideia de quanto eu paguei pela minha velha máquina voadora, provavelmente menos que a sua moto de fim-de-semana. Há sempre aquela ideia de quem voa é menino rico e bem instalado, o que  é tremendamente injusto para muitos pilotos que fazem enormes sacrifícios e cortes nos seus gastos para poderem usufruir da mais bela sensação para eles, a paixão de voar.

Imaginando que o Pai Natal possa ser um piloto cuja aeronave experimental, aposto, um trenó sem asas cuja tracção feita por renas, equivalente aos cavalos de um rotax, ganhe sustentação e se eleve no ar, deu-me a seguinte ideia.
Porque não convidar algumas pessoas neste Natal para lhes proporcionar algo diferente, voar num ULM, seria o meu presente de Natal para alguns. Se houver mais algum piloto que ache boa ideia e queira ligar-se a isto faça o favor de me contactar. Resumindo, seria fazer baptismos de voo para algumas pessoas que não têm qualquer hipotese de pagar um voo, simplesmente para lhes dar um pouco de alegria...e adrenalina q.b. Vamos com esta ideia para a frente? Bons voos e um santo Natal.

sábado, 28 de novembro de 2009

Aterragens de emergência



Durante o treino de pilotagem o piloto deve executar regularmente SAF (simulacro de aterragem forçada). Este treino deve ser efectuado numa área sem obstruções, em campo aberto, no aeródromo sem tráfego, por exemplo, com o aviso prévio via rádio.


O procedimento será reduzir o acelerador para o mínimo, “idle”, para simular a falha de motor, mas nunca desligar o motor do avião. O piloto deve esforçar-se por aperfeiçoar a sua técnica para esta manobra, para aterrar seguramente e com precisão a partir de um determinado ponto à volta do local escolhido para a aterragem.

Geralmente estas aterragens de emergência não constituem grande problema para um avião ultraligeiro uma vez que estes conseguem aterrar num espaço curto. No entanto é imperativo que possua uma ladeira de descida ao planar para o terreno escolhido no caso da falha de motor, sempre! Atenção ao voar sobre pinhais ou áreas com demasiados obstáculos no solo.

Aterre sempre com vento de frente, se for possível! Aprenda a determinar a direcção e velocidade do vento usando o ângulo de “crab”, ver para que lado se desloca o fumo das chaminés, as ondas na água, folhas das árvores etc.

Seleccione a maior área possível, a superfície mais suave do terreno e onde possa fazer a melhor aproximação. Esteja muito atento a obstáculos como linhas de alta tensão, fios de telefone e outros obstáculos de fraca visibilidade que possa haver na aproximação para aterrar.

O melhor procedimento a ter é prevenir antes que aconteça. Lá diz o ditado popular, mais vale prevenir que remediar. Planear o voo de modo a permitir trinta minutos de reserva de combustível, verificar se existe água ou impurezas no combustível (drenar), em voo manter atenção aos instrumentos de motor, ver se este não está a aquecer demasiadamente. Seguir as indicações do manual do avião / motor e voar de maneira que possamos chamar de voo seguro e sensato. Voe segundo estas regras: 1- O motor pode parar a qualquer momento 2- Nunca voe sem ter uma área para aterragem forçada 3- Nunca voe sobre qualquer coisa em que não queira lá aterrar.